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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Sou Brado de um Ser

SOU BRADO DE UM SER

Sou Brado de um Ser.

Sou filho de um berço ...
Que é feito de palha, e cheira a verdura...

Sou feito de um Maio...
Coberto de flores, chorando a censura...

Sou eterno gaiato...
Que brinca nos campos, a brincar com nada...

Sou força de um tempo...
Que um dia sorriu, e se fez alvorada...

Sou sonho que emerge...
Por entre o restolho, e se esvai no pousio...

Sou conto sem fadas...
Que avança no tempo, que não se contou...

Sou grito da alma...
Que brada no céu, e cai no vazio...

Sou poeta que avança...
Por entre o destino, sem saber quem Sou!...

António Prates

quinta-feira, 25 de março de 2010

Atrás das Pedras

ATRÁS DAS PEDRAS

Não quero correr mais atrás das pedras,
Que atiras junto à fronte do meu rosto...
Nem quero calar mais enquanto medras,
Com essas pedras que me atiras por imposto...

Não quero vergar mais aos teus caprichos,
Sobranceados pela força do teu braço...
Nem quero ser mais um, de entre os bichos,
Para que as pedras vejam tudo quanto faço...

Não quero correr mais atrás das pedras,
Direccionadas aos meus olhos racionais...
Nem quero ocultar mais o que me vedas,
Porque te digo que eu já não quero mais...

António Prates (em "Sesta Grande")

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Brados de um ser

"BRADOS DE UM SER"

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Sou filho de um berço...
Que é feito de palha, e cheira a verdura...
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Sou fruto de um Maio...
Coberto de flores, chorando a censura...
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Sou eterno gaiato...
Que brinca nos campos, a brincar com nada...
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Sou força de um tempo...
Que um dia sorriu, e se fez alvorada...
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Sou sonho que emerge...
Por entre o restolho, e se esvai no pousio...
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Sou conto sem fadas...
Que avança no tempo, que não se contou...
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Sou grito da alma...
Que brada no céu, e cai no vazio...
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Sou Poeta que avança...
Por entre o destino, sem saber quem Sou...
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António Prates (Sesta Grande)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Flor

Flor
Toda a flor que é linda e bela,
Tem na alma mais perfume…
E todos olham para ela
Com desejo e com ciúme…
I
Como um terno amanhecer
Nasce, brota e vem ao mundo…
Tem no brio algo profundo
Que a faz resplandecer…
Entre o bem e o mal querer,
Vinga aqui nesta courela…
Como um quadro de aguarela
Conduzindo a sua sina…
É mais doce e mais divina
Toda a flor que é linda e bela...
II
Suas cores, um matizado
Que a faz montra de beleza…
Um tal lustre a camponesa
No padrão mais destacado…
Entre as muitas a seu lado,
É primor que está no cume…
Como gelo em brando lume
Que derrete e diz presente…
Toda a flor resplandecente
Tem na alma mais perfume…
III
Se é cercada por enleios,
Ganha mimos e abraços…
Tudo é lindo e cria laços
Com outros que são mais feios…
O vasto encanto em devaneios,
Dá-lhe o brilho de uma estrela…
Como eterna sentinela,
Tão castiça e tão briosa…
Com a luz mais luminosa,
E todos olham para ela…
IV
Veste o pão da divindade
Na estufa da vivência…
Que a sua fina aparência,
Transmite com claridade…
Há quem diga que é vaidade,
E ao primor chame negrume…
Com sementes em cardume,
Cresce livre e engalanada…
Sendo a flor mais cortejada
Com desejo e com ciúme…

António Prates ( Sesta Grande)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Na horta

NA HORTA

Na horta do Ribeiro do Passarudo,
Cresce a couve e umas outras hortaliças...
Há cebolas, grandes nabos e nabiças,
Muita salsa, alguns alhos e quase tudo...

Nessa horta há amoras encarnadas
E, outras pretas que nas silvas fazem barda...
Há batatas e um cão que faz de guarda,
Contemplando as alfaces bem regadas...

Os poejos, estão espalhados lá p´ró fundo,
Beldroegas são criadas sem canteiro...
Junto ao tanque, e à sombra do limoeiro,
Os coentros são temperos de outro mundo...

Os pimentos são a vida deste hortejo,
Verdejantes, e a sorrir para os melões...
Ao lado, os tomates e os agriões,
Demonstram que esta horta é Alentejo...

António Prates (em “ Sesta Grande”)

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Amigos

AMIGOS
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Os amigos que são leais
Dão a mão e dão guarida...
Mas poucos são esses tais
Que duram p´ra toda a vida...
I
Há amigos em todo o lado,
Quando o nome é trivial...
Como as letras de um jornal,
Quando estão do nosso lado...
Se o jornal é dispensado
As letras não prestam mais...
São a prazo os ideais
Na amizade mais banal...
O que deixa ficar mal
Os amigos que são leais...
II
Esses têm outro valor,
Que se chama seriedade...
Há uma outra amizade
E um (A) que é bem maior...
São amigos sem favor,
Ou sem coisa pretendida...
Com a mão sempre estendida,
Ajudando os tais mendigos...
E por serem mais amigos,
Dão a mão e dão guarida...
III
Há outro que é um perigo,
Com a capa muito sonsa...
Veste a pele que é da onça,
E se diz ser nosso amigo...
P´ra esses eu já nem ligo,
Os que tive foram demais...
São azares ocasionais
Deste tempo sem critério...
Que confunde o Homem sério,
Mas poucos são esses tais...
IV
Como os grandes aliados,
São cultura que se lavra...
E não usa essa palavra
P´ra favores aconchegados...
Amigos não são forçados,
Nem alma que foi vendida...
Como amparo numa descida
E sinceros conselheiros...
São amigos verdadeiros
Que duram p´ra toda a vida...

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António Prates(Sesta Grande)




António Prates é um Alentejano de 41 anos, natural de Borba, que faz das palavras simples, presentes na linguagem do povo, uma poesia que nos encanta e que reflecte todas a musicalidade e magia das terras Alentejanas.
Para além da participação em jornais e boletins, António Prates participou também no livro, “Artistas da Nossa Terra” (1998), editado pelo Centro Cultural de Borba; Edição do livro, “Sesta Grande” (2005), editado pelo Autor; Participação na “XIII Antologia da Associação Portuguesa de Poetas” (2006), editada pela Associação Portuguesa de Poetas; Participação na Antologia de Natal da “União Lusófona de Letras e de Artes”(2007), editada pela União Lusófona de Letras e de Artes; Participação na “Colectânea 2008 do Grupo Horizontes da Poesia” (2008), editada pelo Grupo Horizontes da Poesia.

Na Internet podem encontrá-lo em:
http://pt.netlog.com/Antonio_Prates
http://antonioprates.blogspot.com/

onde recomendo uma visita.