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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Eu Tinha um País

EU TINHA UM PAÍS

Eu tinha um país
- talvez a ficção de um país
(e não este país de ficção)
que me levava a atravessar as noites
iluminado pela esperança
dum dia tudo poder ser diferente

eu tinha um amor
- talvez o sonho de amar e ser amado
(e não este vazio disfarçado)
que me levava a viajar dentro das horas
iluminado pela alegria
de cada manhã nascer sempre diferente

mas afinal não tinha nada:
Só eu me possuía!
e uma tarde, olhando em redor
esvaído o rasto duma euforia
deparou-se-me o país estranho:
Só eu me possuía
nesse país que julgava ter
onde inventara o amor que não havia!


LUÍS FILIPE MAÇARICO, in "Na Liberdade", Antologia Poética , Garça Editores, Régua, 2004.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Alento/Alentejo

ALENTO/ALENTEJO

Verso de sede
nas pedras do tempo,
sangue e revolta
no peito do Homem,
perfume de esteva
a embalar a fome,
pegada teimosa
em veredas de vento,
Alentejo é a procura
De mais céu e de Alento…

Luís F. Maçarico (A Celebração da Terra)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Longe

LONGE

Tudo me diz que estou longe
Mas não é verdade!
O deserto sempre foi o lugar
Da minha infância!
Por isso, na direcção dos oásis
Saboreio o silêncio.
Procuro uma romã que supere
As palavras em doçura
E claridade. Não estou longe!
Esta poeira é envolvente!

De tão cru, o sol apaga lembranças
E germina esquecimentos.
O meu destino, são os incontáveis
Grãos que semeiam o Nada.
Este horizonte infinito de ilusões
O céu de areia de certas tardes.

Estou longe, dizem-me alguns
Sinais. Mas é tão perto, a minha
Casa: Poema futuro, luminosa
Oliveira, manhã desejada!

Luís Filipe Maçarico (Cadernos de Areia)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Polifonia

POLIFONIA

Pelos caminhos
sem tempo
passo a
passo
semeando,
espalham canções
no vento.

Braço no braço
a cantar
pelos caminhos
do sol,
a voz enlaçam
na voz
misturando
eu
e nós.

Luís F. Maçarico (A celebração da Terra)

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Teu nome, Paslestina

TEU NOME, PALESTINA

Teu nome, Palestina
Corre o Mundo nos
Lábios solidários e
Nas mãos que anseiam
Cidades de crianças
Sem medo.

Teu nome, Palestina
Resiste entre escombros
E rios de sangue
Na custosa esperança
De vencer o tempo
Das flores esmagadas.

Teu nome, Palestina
Também faz parte de mim:
Não é possível sorrir
Se choras; não consigo
Cantar se morres.

Teu nome, Palestina
Lembra a luta dos que buscam
Na liberdade o afago da paz
o voo da sabedoria
o elixir da vida contra
os tanques e os canhões
dos opressores.

Teu nome, Palestina

É a lágrima e o grito
De um povo sufocado
Pelo roubo do futuro
Sempre adiado.

Teu nome, Palestina
É uma rosa de cinzas
Sonho teimoso
No coração dos que não
Se rendem dos que não
Se vendem dos que não
Desistem!

Luis Filipe Maçarico (Março 2002- poema inédito cedido pelo autor)

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Lisboa

LISBOA

Lisboa é este espanto
de velhos sonhos sobre o rio
e o namoro do sol com as casas.

Verso eterno sempre novo
deste povo que eu canto
música de vozes e asas.

Luís Filipe Maçarico (Lisboa, Asas de água)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Cais das colunas

CAIS DAS COLUNAS


De pálpebras ancoradas nos rio
transbordante de sonhos,
vi-te chegar.

Com palavras macias
e uma chuva de gaivotas
no olhar.


Luís Filipe Maçarico (Lisboa, asas de água)



Luís Filipe de Almeida Vitória Maçarico nasceu em Évora, mas é em Lisboa que reside há já quarenta e um anos.
Está incluído em várias colectâneas, como “O Poeta faz-se aos dez anos”, “Cadernos Despertar – 1 “, e “O desporto na poesia Portuguesas”.
Com versos publicados em vários jornais e revistas, obteve já vários prémios em concursos literários.
Tem publicados alguns livros de poemas, como “Da água e do vento”, “ Mais perto da terra”, “A essência”, e “ Lisboa, asas de água”.