Os Créditos para os Textos Seleccionados, a partir de Obras adquiridas, pertencem INTEGRALMENTE ao(à) seu(sua) Autor(a) ou Descendentes e Herdeiros e respectiva Editora. Os textos que não possuam a referência do Livro de origem, foram-nos enviados por amigos ou por pesquisas na net, pelo que, se alguma Entidade ou Indíviduo, considerar que estarmos a violar os seus direitos, por favor contacte-nos, e o(s) texto(s) serão prontamente retirados, assumindo que a queixa seja devidamente fundamentada.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Relíquias

RELÍQUIAS

Na ex-tasca do Aranha
Uma casinha modesta
Fica a capela do fado.
Canta-se o fado com gana
Refúgio de gente honesta
A lembrar tempo passado.

Quando a noite se vislumbra
Fica a capela em penumbra
Ao gosto do cantador.
E em sextilhas magoadas
Recordam-se antigas quadras
restos de outros amores.

Peixe frito e bacalhau
Um sorriso de mulher
Esta vida é mesmo assim.
Vinho a dar c'um pau
Regalo para qualquer um
Ouvir cantar o Joaquim.

Milhentas recordações
Perfiladas lado a lado
Lembram passado e presente.
São elas os guardiões
P'ra que a capela do fado
Seja fado p'ra toda a gente.

Jacinto José Carlos Guerreiro
http://rimacom.blogspot.com

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Sou Brado de um Ser

SOU BRADO DE UM SER

Sou Brado de um Ser.

Sou filho de um berço ...
Que é feito de palha, e cheira a verdura...

Sou feito de um Maio...
Coberto de flores, chorando a censura...

Sou eterno gaiato...
Que brinca nos campos, a brincar com nada...

Sou força de um tempo...
Que um dia sorriu, e se fez alvorada...

Sou sonho que emerge...
Por entre o restolho, e se esvai no pousio...

Sou conto sem fadas...
Que avança no tempo, que não se contou...

Sou grito da alma...
Que brada no céu, e cai no vazio...

Sou poeta que avança...
Por entre o destino, sem saber quem Sou!...

António Prates

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A minha pena (décimas)

A MINHA PENA


Mote


Caprichosa a minha pena

Meu jeito de versejar
Por vezes é cantilena
E embala o verbo amar.


Estranho modo é ser poeta

Penso comigo em silêncio
Escrever versos é vazio
Ou então a porta aberta 
Muitas vezes é soberba
Pode ser modo de vida
Ou então estado de alma
Ser embriagado
Ou ego inebriado
Caprichosa a minha pena.

Martírio dias a fio

De olhos fitos se mantém
É de todos e ninguém
É água solta no rio
Sozinha trema de frio
Ao olhar olhos mortiços
Leva no regaço abraços
A quem da vida está cansado
Altivez ou simples fado
Meu jeito de versejar.

É mentira é verdade

Loucura em contramão
Por vezes é encontrão
Outras leviandade
Juro até é verdade
Que corre por entre as veias
Pode ser pernas sem meias
Onde faltam os sapatos
Gritarias espalhafatos
Por vezes é cantilena

Tudo isto num poema

Eu coloco a meu prazer
Versos... Eu sei fazer
Como quem reza novena
Sinto e chego a ter pena
Deste dom que Deus me deu
Pedinte ou camafeu
Tosco altar idolatrado
O meu cunho é afiado
E embala o verbo amar.

.

Poesia de António Ruivo



domingo, 8 de dezembro de 2013

O luar afaga o folhado
que liberta o perfume da Serra.

O voo do falcão
acalenta esperanças
num rio adormecido.

Unem-se os atalhos
e a magia acontece
por entre veredas e orações.

Frei Agostinho sorri
e escreve poemas
nas alvas paredes do Convento.

É quando Deus acredita nos Homens!

Alexandrina Pereira (Arrábida meu amor, meu poema - 2013)

segunda-feira, 25 de março de 2013

Alentejo

Alentejo

Guardei o sol na bagagem
Deixei o vento a chorar
Despedi-me dessa aragem
Tão fresquinha ao madrugar

No talego, a liberdade
De caminhar sem prisão
Dos montes, ai que saudade
Quando os subia no verão

A chuva, tenho-a no bolso
Sequei a roupa, à lareira
Guardei as dores, no dorso
P'ra lembrar a vida inteira

Com saudades, estou cantando
Esse ALENTEJO que encanta
Sinto as lágrimas, deslizando
Até ao nó da garganta

Manuela Tomé
http://www.facebook.com/caminhosdofuturo

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia oito

Dia oito…

Doze meses tem o ano
Doze meses o engano
Virar de costas
Olhares arredios, impostas
Crueldades e barbaridades
Torturas, amedrontamentos
Doze meses de lamentos

Pergunto

Qual a beleza de um só dia
Porventura afasta a razia
De que servem palavras bonitas
Prendas atadas com fitas
São fitas, não saram golpes
Ramos de rosas são marionetas
Manipuladas são as vontades
Doze meses.

Pergunto

Onde está a beleza de um só dia
A sua utilidade é relembrar agonia
Em cada rosa desfolhada
Uma mulher é açoitada
Em cada sorriso aberto
Uma mulher morre aos poucos
Numa caixa de bombons
Morre além uma alma
Por isso não me peçam calma

Dia oito só existe
Porque a barbárie no mundo persiste.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Uma Prenda no Sapatinho

UMA PRENDA NO SAPATINHO...

Para ti que deixaste uma marca especial
É para ti que escrevo um texto de Natal
Nele coloquei azevinho, uma ave no ninho
Coloquei um ramo de oliveira no teu caminho
Coloquei uma estrela, pedirei que te abrace
Quando te sentires sozinho, que te enlace
Sentirás a minha presença numa aragem amena
A noite serena envolverá a sombra do teu olhar
Com uma luz capaz de alcançar
O meu coração desperto na saudade
Para ti escrevo neste Natal
Para ti que cruzaste o meu caminho
Não estarás sozinho
Porque o meu pensamento é teu
Peço ao menino que te lembres de mim
Peço ao menino que ilumine nosso céu
Assim as forças do universo transportarão carinho
Por ti e por mim, sorrisos sem fim
É a prenda que almejo no sapatinho.



Antónia Ruivo