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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Esperança

ESPERANÇA

Quem me dera 
Ter o mundo
Fechado na minha mão
Nem que fosse por um segundo
Eu faria desse mundo
Um mundo belo e diferente
Um mundo para toda a gente
Um mundo com amanhã
Com liberdade
Em que a a solidariedade
Não fosse palavra vã
Um mundo onde a criança
Fosse futuro
Fosse esperança
Um mundo onde haja um sonho
Um sonho bonito
Em que o horizonte
Seja uma ponte 
Para o infinito

José Raposo

sábado, 19 de janeiro de 2019

EU SÓ QUERO PEDIR POR FAVOR

Eu só quero pedir por favor

Eu só quero pedir por favor.
Não penses mais em mim.
Sei que não murchou a flor
E outras vão colorir o jardim.

Eu só quero pedir por favor
Que deixes o meu sol nascer pela manhã,
E seja verdadeiro o seu fulgor,
E vermelho o bago da romã.

Eu só quero pedir por favor
Que não apagues o brilho do teu olhar,
Espelho do meu esplendor,
Onde a minha fantasia aprendeu a navegar.

Eu só quero pedir por favor.
Não penses mais em mim.
Mas se for demais a dor...
Leva-me uma flor do jardim.

Manel Bola
Do livro "Sem amor", um livro de poemas sobre o amor, onde, curiosamen te, a palavra "amor" não aparecer uma única vez.

O POETA MANEL BOLA
Carlos Rodrigues, conhecido por Manel Bola, nasceu em Setúbal em 3 de Setembro de 1944, e faleceu a 11 de Dezembro de 2016.
Conhecido como actor, participou, como amador, na "Ribalta" (Companhia de teatro do Ateneu Setubalense), e foi um dos fundadores da "TEIA" (Teatro Amador de Setúbal). A partir de 1978, e até `reforma, foi actor residente do "TAS" (Teatro de Animação de Setúbal).
Como actor, participou em mais de 60 peças de teatro, tendo ainda dado vida a diversas personagens de séries para a televisão.
Participou ainda na criação de vários espectáculos e acções culturais.
Em 1977 foi galardoado com o prémio de "Melhor actor ibérico", atribuído pelo 3º festival de cinema ibérico.
Em 1971 foi encenador da peça "Era uma vez em Setúbal", conjuntamento com Fernando Guerreiro e João Aleluia.
Em 1996 foi distinguido pela Câmara Municipal de Setúbal co a Medalaha de Honra de Mérito Cultural, e em 27 de Março de 2013, Dia Mundial do teatro, recebeu homenagem pública por parte da C.M.S.  e do TAS.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

NO DIA EM QUE EU MORRER...

No dia em que eu morrer...

No dia em que eu morrer
Gostava de ouvir guitarras
No seu trinado a dizer:
O Estrela soltou amarras!

Subiu ao alto do céu...
Depois de ao inferno baixar.
Desencarnou, não morreu,
Sem vontade de voltar.

Aqui mágoas padeceu
Por ser um desalinhado
Lutou, gritou e sofreu
Para cumprir o seu fado.
Aqui viveu sem temor
Em nome da liberdade
Sem dinheiro, com amor
Afectos e amizade!

Luís Filipe Estrela
(retirado do facebook) - (https://www.facebook.com/photo.php?fbid=240375639853046&set=a.112299252660686.1073741827.100016418356971&type=3&theater

quarta-feira, 20 de junho de 2018

DEIXA-TE FICAR NO MEU PEITO

DEIXA-TE FICAR NO MEU PEITO

Esta noite
Deixa-te ficar no meu peito,
Não te mexas, nem sequer devagar,
Deixa que a brisa nos embale e ouve só o sussurrar do vento
Deixa-me cheirar o teu perfume
Porque foi ele que me trouxe aqui.

Quero o teu corpo e alma
Quero os teus lábios nos meus,
Quero-te quando a noite acalma
Mas quero-te sempre só meu.

Não me feches os olhos
Porque quero ver o brilho do teu olhar, eles também são meus.

Que bom é olharmo-nos, quando estamos perdidos
E encontrar os nossos sentidos,
Presos nos meus e nos teus.

Amor, pode não ser a palavra, gesto ou sedução
Mas sei, que amar é ser amado,
Mesmo quando quieto e calado
Ele é essência da vida...

Deixa este silêncio permanecer
Deixa-me viver neste sonho acordado,
Não me digas nada, porque não há nada para dizer,
Quero apenas ficar deste jeito, quieta e calada, 
Contigo apena, no meu peito.

Isabel Bastos Nunes (retirado do facebook)




Isabel Bastos Nunes é natural de Lisboa., e vive em Setúbal.
Estudou em Tomar, Coimbra, Lisboa e Angola (Luanda e Stº António do Zaire).
Grande parte do seu percurso profissional esteve ligado à imprensa escrita.
Editou um livro de poesia, e participou em várias obras colectivas, tendo visto já a sua escrita premiada em várias ocasiões.
Colabora regularmente em eventos literários.

quarta-feira, 22 de março de 2017

A POESIA ...

A POESIA ...

"A poesia é rima clara?"
Perguntou, ninguém... a outro.
Ele riu na sua cara...
E respondeu, contrafeito:

A poesia é água na fonte.
Balada ao nascer do dia.
Gesto de amor, carinhoso.
Raiva e muita magia.
É sobretudo, inquietação.
Expectante... ou distante.
Poesia... é ser queixoso.

E se levar no queixume...
Pétalas de amor-perfeito.
Ou, imperfeição nas palavras...
Aí é sangue nas veias.
Burburinho, solidão.
É água que desliza no colo,
de uma mulher em parto.

Também é calos nas mãos,
ou suor de camponês...
Pode ser um carpido...
Indigente que pede esmola.
Ou: criança a brincar na rua.
Terra no rosto, olhos na lua...

A poesia pode encantar.
Sobretudo, deve ficar.
Na retina, além do tempo.
Para não ser, catavento...

Pode até ser rima.
Mas... muito mais do que isso.
é mutação em palavras.
Mesmo que derrape em safras
fogosas e corredias.

Ninguém... olhou o outro.
Sem saber do que falara.
Para ele a poesia, era...
Rimar e pronto!

Antónia Ruivo

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Meu cravo de Abril

MEU CRAVO DE ABRIL

Foi nas mãos de minha mãe que desfolhei
O cravo que em Abril me ofereceram
E no terno olhar de uma criança
Deixei as esperanças que me deram.
As pétalas do cravo eram promessas
Feitas de fé, de força e de vontade
E a pura alegria do meu povo
Que sonhava liberdade.

O medo morria, o sonho nascia,
E tudo já era poesia!

Foi quando gritei que queria ser gente
Clamei um país em tudo diferente
Onde não houvesse dor e solidão
E onde em cada mesa houvesse pão.
E o poema foi grito a rasgar a madrugada
O povo na rua sem saber de nada
As armas caladas, os cravos na mão,
Alferes, capitães, marinheiros, soldados
Searas de esperança brotando do chão
Sorrisos e flores por todos os lados.

Meu cravo de Abril com alma de povo
Volta por favor a florir de novo!

Alexandrina Pereira
(Abril 2016 - Facebook)

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Décimas

MOTE

Esta mascarada enorme
Com que o Mundo nos aldraba,
Dura enquanto o Povo dorme,
Quando ele acordar, acaba.

(António Aleixo)

GLOSSAS


Demora esta gente p' ra acordar
Começa a ser grande o desleixo.
Ó grande poeta António Aleixo:
Quando vai o Povo despertar?
De norte a sul ouço protestar
A desigualdade é enorme,
Muitos no país já passam fome
E uns poucos a enriquecer,
Só mesmo tu não queres ver
Esta mascarada enorme.


Promessas são aos centos
Em vésperas d' eleições,
Esses enganosos camaleões
Logo esquecem os juramentos.
Começam por faltar alimentos
Triste carência em nós desaba,
E ainda quem de tal se gaba
Com tantos a ganhar menos...
Sofrem mais, os mais pequenos,
Com que os Mundo nos aldraba.


Podes enganar muitas vezes
Mas não o tempo todo...
Deixar atolados no lodo
Sempre os mesmos fregueses?
A mentira tem os seus revezes
E saciada, já pouco come,
No dia em que se transforme
E desperte do sono profundo...
Esse mau estado moribundo
Dura enquanto o Povo dorme.


Nada é certo eternamente
Eis uma verdade "La Palice"
Cair sempre na mesma idiotice
Não se cai seguramente.
Um idiota quando nos mente
Deixa escorrer saliva e baba,
E p' ra que ninguém disso saiba
Engole seu cuspo nojento...
Enganas o pobre sofrimento,
Quando ele acordar, acaba!

Matias José
"Eles comem tudo, e não deixam nada!" - da net