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quarta-feira, 20 de junho de 2018

DEIXA-TE FICAR NO MEU PEITO

DEIXA-TE FICAR NO MEU PEITO

Esta noite
Deixa-te ficar no meu peito,
Não te mexas, nem sequer devagar,
Deixa que a brisa nos embale e ouve só o sussurrar do vento
Deixa-me cheirar o teu perfume
Porque foi ele que me trouxe aqui.

Quero o teu corpo e alma
Quero os teus lábios nos meus,
Quero-te quando a noite acalma
Mas quero-te sempre só meu.

Não me feches os olhos
Porque quero ver o brilho do teu olhar, eles também são meus.

Que bom é olharmo-nos, quando estamos perdidos
E encontrar os nossos sentidos,
Presos nos meus e nos teus.

Amor, pode não ser a palavra, gesto ou sedução
Mas sei, que amar é ser amado,
Mesmo quando quieto e calado
Ele é essência da vida...

Deixa este silêncio permanecer
Deixa-me viver neste sonho acordado,
Não me digas nada, porque não há nada para dizer,
Quero apenas ficar deste jeito, quieta e calada, 
Contigo apena, no meu peito.

Isabel Bastos Nunes (retirado do facebook)




Isabel Bastos Nunes é natural de Lisboa., e vive em Setúbal.
Estudou em Tomar, Coimbra, Lisboa e Angola (Luanda e Stº António do Zaire).
Grande parte do seu percurso profissional esteve ligado à imprensa escrita.
Editou um livro de poesia, e participou em várias obras colectivas, tendo visto já a sua escrita premiada em várias ocasiões.
Colabora regularmente em eventos literários.

quarta-feira, 22 de março de 2017

A POESIA ...

A POESIA ...

"A poesia é rima clara?"
Perguntou, ninguém... a outro.
Ele riu na sua cara...
E respondeu, contrafeito:

A poesia é água na fonte.
Balada ao nascer do dia.
Gesto de amor, carinhoso.
Raiva e muita magia.
É sobretudo, inquietação.
Expectante... ou distante.
Poesia... é ser queixoso.

E se levar no queixume...
Pétalas de amor-perfeito.
Ou, imperfeição nas palavras...
Aí é sangue nas veias.
Burburinho, solidão.
É água que desliza no colo,
de uma mulher em parto.

Também é calos nas mãos,
ou suor de camponês...
Pode ser um carpido...
Indigente que pede esmola.
Ou: criança a brincar na rua.
Terra no rosto, olhos na lua...

A poesia pode encantar.
Sobretudo, deve ficar.
Na retina, além do tempo.
Para não ser, catavento...

Pode até ser rima.
Mas... muito mais do que isso.
é mutação em palavras.
Mesmo que derrape em safras
fogosas e corredias.

Ninguém... olhou o outro.
Sem saber do que falara.
Para ele a poesia, era...
Rimar e pronto!

Antónia Ruivo

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Meu cravo de Abril

MEU CRAVO DE ABRIL

Foi nas mãos de minha mãe que desfolhei
O cravo que em Abril me ofereceram
E no terno olhar de uma criança
Deixei as esperanças que me deram.
As pétalas do cravo eram promessas
Feitas de fé, de força e de vontade
E a pura alegria do meu povo
Que sonhava liberdade.

O medo morria, o sonho nascia,
E tudo já era poesia!

Foi quando gritei que queria ser gente
Clamei um país em tudo diferente
Onde não houvesse dor e solidão
E onde em cada mesa houvesse pão.
E o poema foi grito a rasgar a madrugada
O povo na rua sem saber de nada
As armas caladas, os cravos na mão,
Alferes, capitães, marinheiros, soldados
Searas de esperança brotando do chão
Sorrisos e flores por todos os lados.

Meu cravo de Abril com alma de povo
Volta por favor a florir de novo!

Alexandrina Pereira
(Abril 2016 - Facebook)

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Décimas

MOTE

Esta mascarada enorme
Com que o Mundo nos aldraba,
Dura enquanto o Povo dorme,
Quando ele acordar, acaba.

(António Aleixo)

GLOSSAS


Demora esta gente p' ra acordar
Começa a ser grande o desleixo.
Ó grande poeta António Aleixo:
Quando vai o Povo despertar?
De norte a sul ouço protestar
A desigualdade é enorme,
Muitos no país já passam fome
E uns poucos a enriquecer,
Só mesmo tu não queres ver
Esta mascarada enorme.


Promessas são aos centos
Em vésperas d' eleições,
Esses enganosos camaleões
Logo esquecem os juramentos.
Começam por faltar alimentos
Triste carência em nós desaba,
E ainda quem de tal se gaba
Com tantos a ganhar menos...
Sofrem mais, os mais pequenos,
Com que os Mundo nos aldraba.


Podes enganar muitas vezes
Mas não o tempo todo...
Deixar atolados no lodo
Sempre os mesmos fregueses?
A mentira tem os seus revezes
E saciada, já pouco come,
No dia em que se transforme
E desperte do sono profundo...
Esse mau estado moribundo
Dura enquanto o Povo dorme.


Nada é certo eternamente
Eis uma verdade "La Palice"
Cair sempre na mesma idiotice
Não se cai seguramente.
Um idiota quando nos mente
Deixa escorrer saliva e baba,
E p' ra que ninguém disso saiba
Engole seu cuspo nojento...
Enganas o pobre sofrimento,
Quando ele acordar, acaba!

Matias José
"Eles comem tudo, e não deixam nada!" - da net


quinta-feira, 4 de junho de 2015

A poesia Alentejana

                 A poesia alentejana
              É para ser dita ou cantada
              E quando é escrita e lida
              É sempre prejudicada

              Escrever bem não é poesia
              É cultura aprendida
              É uma parte da vida
              Aprender o que não sabia
              Mas ser poeta é teoria
              Muita gente se engana
              É uma vocação humana
              Que não se pode mudar
              É para se dizer ou cantar
              A poesia alentejana

              Escrita perde a beleza
              Perde a personalidade
              E baixa de qualidade
              Deixa de ser surpresa
              Porque são dotes que a natureza
              Entrega de mão beijada
              Só a pessoa dotada
              Pode e sabe apresentar
              Porque a poesia popular
              É para ser dita ou cantada

              Ouçam com atenção
              As guitarras a tocar
              E os poetas a mostrar
              Toda a sua vocação
              Mantendo uma tradição
              Que não pode ser perdida
              Jamais será esquecida
              São palavras do autor
              Mas perde muito do seu valor
              Quando é escrita e lida

              Quem escreve quer emendar
              O que não sabe fazer
              E de bem que quer escrever
              Começa a prejudicar
              Porque a poesia vulgar
              Bem ou mal interpretada
              Tem que ser ouvida e julgada
              Por poetas valorosos
              Se for escrita por curiosos
              É sempre prejudicada

Eusébio Pereira (O Papeleiro) nasceu em 1915, no "Monte da Caveira", concelho de Grândola, onde os seus pais trouxeram ao mundo sete irmãos, entre os quais a poesia popular se revelou um elemento caracterizador, de natureza genética.
Apenas em 204, já com quase noventa anos, se dispôs a publicar algumas das suas cantigas, cujo resultado foi o livro autobiográfico (como o próprio autor reconhece) com o título "Retalhos de uma vida em poesia popular".

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Relíquias

RELÍQUIAS

Na ex-tasca do Aranha
Uma casinha modesta
Fica a capela do fado.
Canta-se o fado com gana
Refúgio de gente honesta
A lembrar tempo passado.

Quando a noite se vislumbra
Fica a capela em penumbra
Ao gosto do cantador.
E em sextilhas magoadas
Recordam-se antigas quadras
restos de outros amores.

Peixe frito e bacalhau
Um sorriso de mulher
Esta vida é mesmo assim.
Vinho a dar c'um pau
Regalo para qualquer um
Ouvir cantar o Joaquim.

Milhentas recordações
Perfiladas lado a lado
Lembram passado e presente.
São elas os guardiões
P'ra que a capela do fado
Seja fado p'ra toda a gente.

Jacinto José Carlos Guerreiro
http://rimacom.blogspot.com

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Sou Brado de um Ser

SOU BRADO DE UM SER

Sou Brado de um Ser.

Sou filho de um berço ...
Que é feito de palha, e cheira a verdura...

Sou feito de um Maio...
Coberto de flores, chorando a censura...

Sou eterno gaiato...
Que brinca nos campos, a brincar com nada...

Sou força de um tempo...
Que um dia sorriu, e se fez alvorada...

Sou sonho que emerge...
Por entre o restolho, e se esvai no pousio...

Sou conto sem fadas...
Que avança no tempo, que não se contou...

Sou grito da alma...
Que brada no céu, e cai no vazio...

Sou poeta que avança...
Por entre o destino, sem saber quem Sou!...

António Prates