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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Ias na Proa da Barca

IAS NA PROA DA BARCA


Ias na proa da barca, singela.
Teu olhar vogava à flor das águas
e tua mão tocava-as, distraída.

Eu era teu barqueiro.
Fazia deslizar os remos, silencioso.

Mas já atearas em meu corpo
o rastilho do amor. E como a mariposa,
era atraído à tua chama intensa
Só me falta arder no teu incêndio.

Avelono de Sousa (poemas)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Estavas junto ao poço

ESTAVAS JUNTO AO POÇO

Estavas junto ao poço.
Elevavas um balde cheio de água.
A tua pupila negra reflectia
o seu negrume fundo.
E no ramo mais verde
do álamo ridente
uma toutinegra
entoava o mundo.

Avelino de Sousa (Poemas)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Disseste-me em surdina...

DISSESTE-ME EM SURDINA…

Disseste-me em surdina, ao meu ouvido
palavras que não ouso revelar.
Todo o segredo havido entre nós dois
Só o partilharemos com o mar.

Disseste-me palavras nunca ouvidas
palavras de desejo, ciciadas,
que só os amantes pronunciam
e se fundem no som alto das vagas.

O que me disseste e o que eu te disse
p’ra sempre o haveremos de calar.
A não ser que outros amantes as escutem
na rebentação larga do mar.

Avelino de Sousa (Poemas - MMV)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Um bafo quente, acídulo

UM BAFO QUENTE, ACÍDULO ...

Um bafo quente, acídulo,
abrasa a terra a meio da tarde.
Um vento súbito de Agosto
estremece as folhas das nogueiras.
Tudo Parece que arde.

Mas nas fontes ternas do teu rosto
onde as aves, abrigadas,
posam no íntimo frescor
nascem as águas das ribeiras
no dealbar das alvoradas.

Avelino de Sousa (Poemas)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Sigo tuas pegadas pela praia

SIGO TUAS PEGADAS PELA PRAIA


Sigo tuas pegadas pela praia
em busca de teu corpo de azevinho.
És como um búzio onde se ouve o mar,
como a onda que alaga e se retrai,
como um vinho novo que se bebe.

Sigo tuas pegadas, mas não te encontro.
És como a rocha aonde a vaga cai
e rebenta numa maré de espuma.
Ou te sumiste ou não mereço ter-te.
Por isso, agora há só o grito das gaivotas
E a luz tardia desmaiada :bruma.

Avelino de Sousa (poemas)