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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Talvez seja Abril

TALVEZ SEJA ABRIL


Talvez seja Abril
Mas não parece…

Parece mais
Um mês incerto,
Um parêntesis aberto
Entre as sombras longínquas
De altos muros
(erguidos no prumo do ódio antigo
e das nuvens de cinzas que os encerram…)
e a radiosa teimosia de uma macieira
que, à minha beira,
anuncia febril a Primavera.

Sim, é de paulatina espera
Que se fazem os trilhos destes dias…
Aqui na frescura do jardim;
Lá na clausura do pó das ruas de Jenin..

E é a mesma seiva que a retém
Que faz explodir as fechaduras
Naquelas portas e neste caule…
O mesmo dinamite à cintura
Nestes ramos verde e
Nos humanos troncos de Jerusalém…

Não sei que Abril pode ser este!
Não sei porque tremem as rosas na penumbra…
Não sei porque medra, ainda, a macieira…

Talvez sejam só faces de uma mesma moeda;
A luz do fogo a explodir em flor
E o sangue das trevas a escorrer na pedra…

Talvez seja mesmo Abril esta longa espera…
Talvez seja subtil a Primavera.!...


José Dias Egipto (Antologia Poética – Amantes das leituras 2008)


José Dias Egipto é o pseudónimo literário de José Carlos Pacheco Palha, nascido em Braga em 1953, licenciado em medicina, e a exercer no concelho de Vila Nova de Gaia.
Desde 1999 tem vários livros editados, quer de poemas, quer de prosa.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A Memória das coisas?...

A MEMÓRIA DAS COISAS?...

A memória das coisas é só
memória
esquecida de que as coisas
escondem soidades
do que foram e
ignoram.

Feliz engano…
quando não se encontra.

Porque as coisas
são
histórias
sobre histórias
das coisas
sem memória.

Miguel J. da Cunha Teixeira (Mais além da saudade)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Orgia

ORGIA

Vamos partir amor é madrugada...
P'ra junto do farol da colina!
Com lua em pura noite deslumbrada
P'ra ti vou ser agora uma bonina...

Gritaremos gemidos na alvorada
Bebendo esta hora divina!
Enquanto uma nuvem agitada
Nos segreda "Viverei a vossa sina".

Que nos importa Amor, se nesta orgia
De júbilo e incontida alegria
Nos amamos em laços de ternura?...

Já não será um sonho, mas verdade,
Dar aos nossos desejos liberdade,
Retendo este momento de ventura!...

Fernanda Costa

Poema retirado do blog “Fernanda e Poemas”, da Fernanda Costa, uma Açoreana do Faial, a viver em Lisboa, ao qual recomendo uma visita.