DESILUSÃO
Pouco depois de chegar
Mesmo com pouco saber
Quis o mundo endireitar
Sem de nada perceber
Só vim a compreender
Depois do sonho desfeito
Se o fosse possível fazer
Já outros o tinham feito
A barreira que encontraram
Foi a mesma qu’eu encontrei
Foi ali qu’eles barraram
Na mesma onde eu barrei
Sempre da mesma maneira
Do mesmo processo usado
Travam-nos sempre a carreira
No momento apropriado
Ao novo e ao bem maduro
Com visão ou atrasado
Vou-lhes dizer que o futuro
Irá ser como o passado
Vou vivendo com tristeza
Neste grande labirinto
Mesmo falando com franqueza
Não digo tudo o que sinto.
José António Salgueiro (Relatos de uma vida)
José António Salgueiro
José António Salgueiro nasceu, em 1919, no Monte de Boavista, em Montemor-o-Novo. Como filho mais velho de uma família rural, muito cedo começou a sua vida de trabalho, pois os tempos eram difíceis e era preciso ajudar no sustento da casa.
Até aos 14 anos, altura em que veio para a vila aprender o ofício de sapateiro, o José Salgueiro foi vendedor de água em feiras e romarias, vendedor de sardinhas pelos montes da região, foi trabalhador rural, ceifou, esgalhou, e tratou de hortas.
Aos 50 anos deixou de vez a profissão de sapateiro, para se dedicar a tempo inteiro a duas das suas paixões: o jogo de damas, de que é campeão, e as ervas medicinais, assunto sobre o qual tem reconhecida competência, e um livro editado que vai já na sua 5ª edição (não é anunciado na TV, mas é melhor!).
Amante da poesia desde muito novo, só agora, aos 90 anos, editou o seu primeiro livro nesta área.Um lutador pela justiça, e um apaixonado pela Natureza, o Mestre Zé Salgueiro é um Montemorense de mérito reconhecido, e recentemente alvo de homenagem na Casa do Alentejo em Lisboa.
Há 4 dias
