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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Que saudades tenho das histórias

QUE SAUDADES TENHO DAS HISTÓRIAS

Que saudades tenho das histórias
que nunca ouvi
aconchegado à lareira,
do escano onde nunca me sentei,
daquela velha casa escura
e fria
no vale silencioso…
O musgo era tão misteriosamente belo
e o silêncio sem palavras
tão cheio de verdade!
E o sossego dos bosques e
a força do ar…

Ó terra de lavradores
que já não há!

Miguel José da Cunha Teixeira (Mais além da saudade)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Quarto Crescente

QUARTO CRESCENTE

Porque vejamos: Uma lua destas
já nem lua é. A lua quer-se grande,
leitosa, apontável ás crianças:
olha o homem da lua, os olhos, a

vassoura. Mas uma lua destas,
desfazendo-se em sombras, um ar
de quem passou o dia em claro
já nem lua é. Que não exija então

o impossível, que não se finja
a sério a pedir versos e algum olhar:
o poeta não usa telescópio,
nem se acorda uma criança
por gomos de luar.

Ana Luísa Amaral (Coisas de Partir)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Longe

LONGE

Tudo me diz que estou longe
Mas não é verdade!
O deserto sempre foi o lugar
Da minha infância!
Por isso, na direcção dos oásis
Saboreio o silêncio.
Procuro uma romã que supere
As palavras em doçura
E claridade. Não estou longe!
Esta poeira é envolvente!

De tão cru, o sol apaga lembranças
E germina esquecimentos.
O meu destino, são os incontáveis
Grãos que semeiam o Nada.
Este horizonte infinito de ilusões
O céu de areia de certas tardes.

Estou longe, dizem-me alguns
Sinais. Mas é tão perto, a minha
Casa: Poema futuro, luminosa
Oliveira, manhã desejada!

Luís Filipe Maçarico (Cadernos de Areia)