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quinta-feira, 26 de junho de 2008

Aos meus amigos

AOS MEUS AMIGOS

disseram-me que, de manhã,
se ouve o Tejo todo,
e que as pessoas transportam em
si aquela imensidade vasta,
como quem é feito de História
e não sabe porquê

disseram-me que o tempo não
volta ao lugar onde nasceu, e
que os amigos que se perdem são
como o areal à volta da minha casa:

os retalhos, as migalhas, a presença
sempre ausente das águas em
combustão

e a sensação de que sempre foi assim,
com aquelas mesmas pessoas,
com aqueles mesmos rostos,
por dentro da História
e com o Tejo debaixo dos braços

Jorge Vicente (Ascensão do fogo)



Jorge Vicente, nascido no Algueirão a 17 de Setembro de 1974, é, segundo Rui de Sousa escreveu no seu posfácio do livro “Ascensão do Fogo” (Edium 2008), “um ser humano que, como uma criança constantemente surpreendida com todas as coisa que a vida lhe oferece, sabe também estar consciente da dura realidade, com a qual tem de conviver, fazendo progressivamente o luto de todas as coisas que perdeu na sua caminhada.”
Com um olhar Humanista e atento à Natureza que o rodeia, Jorge Vicente escreve desde muito novo, contudo, foi só em 2002 que se iniciou na publicação em livro dos seus trabalhos, participando em diversas antologias.
Ascensão do fogo é o seu último trabalho, editado pela EDIUM em 2008.
Participa também activamente na Lista de discussão Encontros de Escritas.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Desafio

DESAFIO


à prova pus o meu mundo
para ver o que fazia
Fugiu-me, deixou-me só
e a noite fria
Foi-se embora com os ventos
não sei para onde foi
Deixou-me uma chaga aberta
que ainda hoje me dói
E apesar dos meus lamentos
o mundo não mais voltou
Em plena estrada deserta
busco no fundo do meu mundo
enquanto sou o que sou

Gomes Sanches (Espaço de Memórias)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Um bafo quente, acídulo

UM BAFO QUENTE, ACÍDULO ...

Um bafo quente, acídulo,
abrasa a terra a meio da tarde.
Um vento súbito de Agosto
estremece as folhas das nogueiras.
Tudo Parece que arde.

Mas nas fontes ternas do teu rosto
onde as aves, abrigadas,
posam no íntimo frescor
nascem as águas das ribeiras
no dealbar das alvoradas.

Avelino de Sousa (Poemas)

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Teu nome, Paslestina

TEU NOME, PALESTINA

Teu nome, Palestina
Corre o Mundo nos
Lábios solidários e
Nas mãos que anseiam
Cidades de crianças
Sem medo.

Teu nome, Palestina
Resiste entre escombros
E rios de sangue
Na custosa esperança
De vencer o tempo
Das flores esmagadas.

Teu nome, Palestina
Também faz parte de mim:
Não é possível sorrir
Se choras; não consigo
Cantar se morres.

Teu nome, Palestina
Lembra a luta dos que buscam
Na liberdade o afago da paz
o voo da sabedoria
o elixir da vida contra
os tanques e os canhões
dos opressores.

Teu nome, Palestina

É a lágrima e o grito
De um povo sufocado
Pelo roubo do futuro
Sempre adiado.

Teu nome, Palestina
É uma rosa de cinzas
Sonho teimoso
No coração dos que não
Se rendem dos que não
Se vendem dos que não
Desistem!

Luis Filipe Maçarico (Março 2002- poema inédito cedido pelo autor)