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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Um democrata não mata

UM DEMOCRATA NÃO MATA


Mote

Se fosses um democrata
Aceitavas a verdade
Um democrata não mata
Os frutos da liberdade


I
Se sentisses o carinho
Pela verdade sagrada
Deixavas a fantochada
Seguias outro caminho
Não ficarias sozinho
Como coisa abstracta
Não ias meter a pata
Na cultura delicada
Que gostavas bem tratada
Se fosses um democrata.

II
Se sentisses a paixão
De ajudar os valores
A honestos criadores
Darias a tua mão
Para dares consolação
A quem tem honestidade
Apenas com lealdade
Para poderes servir
Se não quisesses mentir
Aceitavas a verdade.

III
Se soubesses abraçar
Os valores da cultura
Nunca fazias censura
E devias ajudar
Deixavas de censurar
Quem a cultura retrata
Serias pessoa grata
Para te darem valor
Que obras de um criador
Um democrata não mata

IV
Se soubesses ser amante
Da nossa democracia
Sentias mais alegria
E serias mais brilhante
Não serias provocante
Deixavas essa maldade
Tinhas mais fraternidade
E vivias mais contente
Deixando à nossa gente
Os frutos da liberdade.

Aleixo dos Santos (A poesia e o poeta)




Aleixo dos Santos, filho de pais humildes, nasceu, a 2 de Fevereiro de 1938, numa aldeia, de nome “Arneiro Branco”, situada no concelho de Sines, e que hoje já não existe, pois foi submersa pela barragem que abastece a refinaria de Sines.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Liberdade

LIBERDADE


Conheço um cão magricela
Qu’ anda aí ao abandono,
Que nunca teve uma trela
Nem a carícia de dono!

Sua cama é o relento…
Faz-me pena o pobre bicho,
Que busca o magro sustento

nos caixotes do lixo!

Cão das frias madrugadas,
Da angustia e do desdém…
Mesmo levando pedradas
Jamais mordeu a alguém!

Mesmo em dias que não come
Não deixa de estar contente…
Antes quer morrer de fome
Que estar preso a ‘ma corrente!

É de raça indefinida
E tem junto à lealdade
O maior bem desta vida,
Qu’ é viver em liberdade!


Manuel Justino Ferreira (Poeta que parte… poemas que ficam)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Segredo

SEGREDO

Nunca o disse a ninguém
O mar em que ando envolto
é muito meu
não é de outro
Não se espelha nele o céu
pois claridades não tem
Mas tem vida e anda inquieto
Fui eu seu arquitecto
A dor é o fundo
As águas são grossos lágrimas
que chorei sem uma guarida
nos desertos do meu mundo
Nunca o disse a ninguém
O meu mar
o mar sem praias
o mar que eu fiz de dor e lágrimas
é meu
E nele não se espelha o céu.

Gomes Sanches (Espaço de Memórias)



José dos Reis Gomes Sanches nasceu na Aldeia Velha, concelho do Sabugal, em Janeiro de 1936.
Fez o ensino secundário em Vila Nova de Gaia
Frequentou o curso de Direito em Coimbra, mas foi na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa que concluiu a licenciatura.
Reside em Setúbal desde 1997, e publicou “Percurso de Circunstâncias” em 2002, e “Espaço de Memórias” em 2006.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Alentejo das Cantigas

ALENTEJO DAS CANTIGAS


Minha mãe cantava, antigamente
As canções que aprendeu de meus avós,
Cantigas tristes contidas na sua voz
Tão suave, delicada, dolente…

Eu nasci neste Alentejo quente,
Nas planícies desertas, longas, sós,
É a terra dos meus pais, dos meus avós
Com seus costumes, e de boa gente…

Casinhas, tem pelo dia a branquejar
Ou com a noite brilhando ao luar
Como quem adormece, vai sonhando…

Alentejo lindo, de loiros trigais,
Tuas cantigas que eu não esqueço mais,
Quem te conhece, te fica amando.

Mário Rio Seco (Outono)


Mário Rio Seco não se considera poeta, e muito menos, um erudito da poesia, mas o seu amor pela Natureza e pelo seu Alentejo leva-o a escrever. E foi assim, com rimas simples de palavras do povo, uma poesia humilde mas realista, cheia de sentimento e emoção, que já publicou dois livros: “Uma vida de provérbios e poemas” e “Outono”.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Basta-me Respirar

BASTA-MA RESPIRAR

Nasci diferente
Mas estou contente
Por ter nascido
Não sou perfeito
Mas deste jeito
Sou divertido
Gosto de rir e de brincar
Sei escrever e sei nadar
Gosto de afecto e de carinho
E às vezes de estar sozinho
Gosto de flores, gosto do mar
Adoro o céu e o luar
Já sei cantar uma balada
E quero ter uma namorada
Nasci diferente mas sei amar
Para ser feliz, basta-me respirar.

José Raposo (Afectos e cumplicidades)



José Raposo nasceu em Santiago do Cacém em 1947.
Em 1968 foi para Beja, cumprir serviço militar, o que o fez depois rumar ainda a Coimbra, a Lisboa e a Angola.
Desde 1972 que reside em Setúbal.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Ode aos Poetas

ODE AOS POETAS

Para que as orquídeas floresçam
nos mais recônditos lugares sem vida…

Para que a esperança seja cantada
nos lábios sublimes de uma ninfa imaginada…

Para que as asas das gaivotas
nos tragam a mensagem dos homens sem algemas…

Para que as vozes das bocas famintas
encontrem alento nas palavras de mil poemas…

E para que as crianças (mesmo as mais tristes)
nunca deixem de sorrir…

Os poetas terão sempre que existir!


Luz Cabrita (Retalhos do tempo)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Assim...

Assim…

Não, não… e não!
Ninguém me abra a porta da prisão…
Quero estar encarcerado e só!
Que ninguém pense em mim
Com sentimento de dó!!!

Deixem-me estar assim,
Sozinho… com meus poemas!!!
Lá fora… apenas existem
Cadáveres e problemas!!!

Manuel Justino Ferreira (poeta que parte... poemas que ficam)

Manuel Justino Ferreira

Manuel Justino Ferreira nasceu em Montemor-o-Novo no dia 18 de Setembro de 1928.
Poeta multifacetado, Manuel Justino não só cantou Montemor e o Alentejo de uma forma muito particular como, atento e interessado por tudo o que o rodeava, satirizou e criticou situações, ou comportamentos sociais, que achava menos correctos. O Amor e a Solidariedade também são sentimentos que podemos encontrar em muitos dos seus poemas.
Surpreendido por um problema cardíaco, o Manuel Justino viria a falecer a 28 de Outubro de 2002, sem que tivesse publicado, em livro, nenhum dos seus poemas, como acontece à maioria dos poetas do interior.
Em 2004 foi feita justiça, e o Grupo de amigos de Montemor publicou um livro com uma compilação de poemas seus.